O dOUTOR E O "PACIENTE"


A absorção da tecnologia de forma aleatória trouxe vantagens e desvantagens para a relação entre os médicos e os clientes, conforme podemos observar cotidianamente. Basta um pouco de atenção aos catálogos, aos birôs dos referidos profissionais e ao seu comportamento na hora em que estão no consultório frente à frente com o cliente.

Um grande percentual das consultas modernas resultam sempre na realização de exames complementares, que são necessários em muitos casos, porém seriam dispensáveis em outros muitos, conforme a própria imprensa já mostrou. Tudo é resultado, porém da incorporação da tecnologia na assistência médica.

Apesar das informações precisas e preciosas que trazem, os exames aumentam o tempo de envolvimento do paciente com o diagnóstico da sua doença e com o próprio tratamento. Há uma ansiedade em muitos pacientes, que recordam a tranquilidade daqueles tempos em que o médico resolvia muitos problemas sem requisitar nada dos laboratórios.

É importante ressaltar que esses instrumentos postos à disposição dos médicos podem apresentar elementos valiosíssimos para o diagnóstico, mas existem casos onde sua solicitação torna-se abusiva ante o paciente e a fonte pagadora, na maioria dos casos os planos de saúde, que findam encarecendo seus preços para fazer face a tais excessos.

Por outro lado, a tecnologia às vezes coloca equipamentos na mesa do médico, a fim de modernizar o atendimento. Ali o médico pode acessar diretamente a ficha do pacinte e vários outros elementos que podem auxiliar na consulta. Mas pode encontrar também um meio de distração e afastamento do cliente. 

Assisti a um oftalmologista explicar ao paciente que se consultava um ano depois da última visita e indagava pelo micro da mesa, que sumira. O médico explicou que mandara tirar, pois o equipamento estava provocando a sensação de afastamento seu para com o paciente.        

Aquela atitude do médico demostrou o seu respeito à clientela, pois qualquer que seja o papel do micro na consulta ele pode ser desempenhado por outra pessoa que não o médico ou em outro horário, que não o da consulta. Tudo o mais seria pedantismo, pois o médico está tratando do ser humano e não da máquina.

Depois de observar esta experiência, verificamos o comportamento de outro médico, um otorrinolaringologista que, como diretor de hospital não admite qualquer atitude desumana da parte do seu pessoal. No seu consultório, o exemplo de atenção aos pacientes está na ligação direta. Até o seu telefone celular está publicado nos catálogos dos planos de saúde.

Esses assuntos vão aos poucos oferecendo elementos para delinear um novo momento que a medicina passa a viver: o momento da humanização, que significa a busca do equilíbrio entre o uso da tecnologia e a atenção direta entre os seres humanos profissionais de saúde e pacientes. Assim, podemos sintetizar:

1. A tecnologia trouxe vantagens e desvantagens para a relação entre os médicos e os clientes.

2. Existem casos onde a solicitação de exames torna-se abusiva ante o paciente e a fonte pagadora.

3. Um computador pode provocar a sensação de afastamento entre médico e paciente.

4. A medicina passa a viver um novo momento: o momento da humanização.

5. Humanização significa o equilíbrio da atenção entre a tecnologia e o paciente.

6. Que tal o médico que publica seu celular nos catálogos dos planos de saúde?

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